O apagar das luzes da semana no mercado de Tecnologia mundial foi agitado. No final do dia 19/02, sexta feira passada, a Ingram Micro anuncia ao mercado a venda de suas operações globais por US$ 6 bilhões de dólares para uma subsidiária do chinês HNA Group.

É claro que a notícia é uma verdadeira bomba para o mercado de tecnologia pois, para quem não sabe, o HNA Group é uma corporação chinesa com braços em diversas áreas, como logística, aviação, finanças e turismo. Duas outras informações interessantes é que o HNA possui pouco mais de 23% de participação na Azul, além de ser o maior cliente da Embraer na Ásia.

Parece claro a todos que, com um faturamento anual na ordem de 90 bilhões de dólares ano, presença em diversos setores da economia e considerado pela Fortune uma das 500 maiores empresas do planeta, o HNA pode tornar a Ingram um colosso ainda maior do que já é globalmente.

Com sua presença na área de logística, por exemplo, pode impulsionar e desembaraçar as operações de frete e remessas da Ingram em todo o planeta. Com sua participação em alguns bancos, pode levar a Ingram linhas de crédito e/ou financiamento inimagináveis até então. E claro, como cliente de diversas marcas distribuídas pela própria Ingram, pode usar seu tamanho para pressionar fabricantes ao redor de todo o planeta por melhores preços ou exclusividades.

Este movimento demonstra, inclusive, que operações de full fillment em hardware, com suas margens cada vez mais baixas e operação cada vez mais “commoditizada” e ameaçada por soluções Cloud podem deixar de ser interessantes para os players americanos e europeus no médio prazo, muito por conta de seus custos com pessoal e impostos, na média muito mais altos que os custos chineses por exemplo.

Para provar isso basta pegarmos uma linha do tempo e analisarmos as ações tomadas por IBM com a Lenovo, o crescimento da Samsung e da LG e as opções de produção feitas pela Apple. Sendo assim parece lógico dizer ao mercado: “chineses, façam vocês também o full fillment, não faz mais sentido para nós tocar isso”.

A Ingram pode sim ganhar muito com a compra pela HNA. Resta saber de que forma os chineses em conjunto com as “cabeças legadas” baterão estes ingredientes.

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